Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

Energias Renováveis e Não Renováveis

Ora, constata-se que na Europa 80% da electricidade é utilizada para aquecimento, e apenas uma pequena percentagem para iluminação. Porém, existe também aquela que é perdida, já que o rendimento dos aparelhos nunca chega a 100%, logo, alguma dessa energia dissipa-se sob forma de calor (considerado desperdício quando não nos referimos a aquecimento das habitações). Por exemplo, num estudo da REN (Rede Nacional de Electricidade), onde são apresentadas três possibilidades de evolução da expansão de fornecimento de electricidade à população, cerca de 6 TWh terawatts hora) de energia foram perdidas nas próprias redes eléctricas no ano 2000, com tendência a aumentar para aproximadamente 8 TWh . Essa perda nas redes torna-se um problema nacional, porque pagamos a electricidade que se perde. Não é essencialmente um problema de produção, mas sim de rendimento. Contudo, como não é possível produzir toda a energia necessária na nossa rede, parte dela é importada de países como Espanha e França.
Outro problema é o excessivo consumo de combustíveis fósseis para obtenção de energia, visado pelo seu grande potencial energético. Para além dos factores económicos que acarretam, como por exemplo, a subida constante do preço do barril de petróleo, temos os factores ambientais, que hoje em dia são cada vez mais tomados em conta. Considero tardia a recente preocupação existente com o aquecimento global, o qual é consequência da emissão de gases de efeito estufa (como o CO2 e o SO2) derivados da queima desses combustíveis, porque mesmo que hoje parassem todas as emissões de gases de efeito estufa, durante os próximos anos registaríamos da mesma forma um aumento da temperatura. Isto deve-se à lenta alteração química da atmosfera. Portanto, os gases que lançamos hoje são mais um acréscimo ao problema em tempos futuros, e o que sofremos nos dias de hoje são resultado do mau uso energético do passado. Assim, ao contrário do que se pensava nos meados dos anos 80, o aquecimento global é uma realidade, potencialmente perigosa para a vida no nosso planeta. Por isso, são necessários novos hábitos energéticos. Como consequências esperadas, teremos a subida da temperatura, principalmente nos pólos, que derreterá os glaciares, e consequentemente levará à subida do nível médio das águas do mar, bem como a mais um aumento das temperaturas, uma vez que com menos superfícies de gelo, menos raios solares serão reflectidos, ou seja, ficarão aprisionados na Terra. Convido todos os leitores a verem “Verdade Inconveniente”, porque aborda e aprofunda os problemas ambientais aqui mencionados.
Existem discórdias na discussão da energia nuclear. De um lado temos a grande produção energética que é capaz de ser gerada através de dois processos: fissão e fusão nucleares; por outro lado temos o perigo ambiental que esta representa, nomeadamente com os resíduos radioactivos resultantes como o urânio empobrecido, o qual requer fortes medidas de segurança e controlo após o seu enterro para que não haja poluição do meio ambiente; e também radiações que pode provocar numa explosão da central nuclear (veja-se o caso de Chernobyl), o que pode levar à criação mutações genéticas profundas nos seres vivos que se sujeitam a elas. Assim, existem aqueles que a defendem pela obtenção de energia, enquanto que outros a atacam pelo perigo que acarreta.
De forma geral, a energia nuclear brota de reações ocorridas nos núcleos de certos isótopos, que levam à produção da energia, após a alteração da sua massa. Na fissão nuclear, isótopos de massa elevada são bombardeados com um neutrão, o que leva à divisão do elemento em duas ou mais partes, bem como a libertação de mais neutrões, os quais vão actuar sobre a massa existente, dividindo-a novamente, e assim sucessivamente. Desta forma, a divisão da matéria é uma reacção em cadeia que dará origem a energia. Este é o tipo de energia nuclear mais comum. Porém, os perigos de explosão e de poluição ambiental levam a que muitas vezes seja rejeitada, como é o caso em Portugal. Por outro lado, a fusão nuclear é o processo que ocorre nas estrelas, em que átomos de deutério se encontram num estado plasmático, devido à acção de temperaturas muito elevadas, fundem os núcleos, originando hélio (He) e grandes quantidades de energia, parte da qual é usada para a manutenção do estado plasmático, enquanto outra serve de energia útil. Este tipo de processo continua ainda em fase de prática experimental, num projecto em conjunto entre países da União Europeia e Japão (ITER). A grande dificuldade deste processo encontra-se na capacidade dos materiais de resistirem a temperaturas tão altas necessárias ao estado plasmático. Então, recorre-se ao processo de confinamento magnético.
Contudo, apresentam-se soluções viáveis a nível ambiental através de energias renováveis, ou seja, estas são um escape a muitos problemas ambientais derivados da obtenção de energia, já que são não poluentes e inesgotáveis, pois são fruto de energias naturais que são aproveitadas por nós. A sua afluência aumenta à medida que os governos estabelecem medidas ambientais, o que é o caso de Portugal, onde o número de parques eólicos disparou nos últimos anos, e se projectam grandes áreas para o proveito da energia solar. Além disso, exploramos os cursos hídricos de forma satisfatória (entre 20% a 30% da produção total). Assim, encontramo-nos nos primeiros países europeus mais desenvolvidos nesta matéria. Porém, é necessário aumentar o número de estruturas em diversos ramos, pois o rendimento destes tipos de energia ainda não é capaz de satisfazer as procuras totais do SEP (Sistema Eléctrico de serviço Público), e está muito dependente das condições que a circunstância fornece, ou seja, a produtividade está directamente relacionada com as condições presentes durante um certo espaço de tempo num determinado local.  
Segundo o estudo da REN mencionado atrás, as procuras do SEP serão satisfeitas. Todavia, cabe a cada indivíduo racionalizar o consumo de energias, visto que caminhamos para uma crise energética, visada pela dependência de energias não renováveis para a sua produção, e pela escassez das mesmas (petróleo, carvão e gás natural).

 

 

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Créditos de imagem: autoria de Irene Gouvinhas 12º A, CNSB (06/07)
Publicado por acienciaeofuturo às 08:48
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