Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

Transportes

        Às oito estamos em casa, às nove no trabalho, à uma no restaurante, às duas novamente no emprego, às seis no hipermercado e às sete regressamos a casa. Parece um dia simples, tal como todos os outros, mas a deslocação efectuada é considerável, pois são algumas dezenas de quilómetros, que devido ao tipo de vida que possuímos, temos de realizar diariamente. Se multiplicarmos esses quilómetros por milhares de milhões de pessoas no mundo, dava para ir e voltar da Lua alguns milhares de vezes por dia.
        O ser humano tem actualmente uma grande necessidade de deslocação, e para esse fim são precisos meios, que neste caso são os transportes, os quais estão a consumir os recursos naturais e a poluir o ar que respiramos. No entanto, nos últimos anos tem havido um aumento da preocupação considerando esse aspecto, o que impulsionou a investigação relativamente a fontes alternativas. O objectivo é conseguir uma fonte praticamente inesgotável e não poluente. Contudo, o principal desafio colocado aos cientistas é alcançar essa fonte alternativa a um custo acessível, e principalmente conseguir torná-lo o mais energético possível de forma a mover os veículos dos quais necessitamos. O hidrogénio poderá ser essa fonte energética alternativa aos actuais combustíveis fósseis. O abastecimento é um problema grave, já que, como no GPL, é um processo complicado, devido ao perigo de explosão iminente. Contudo, o maior problema será a obtenção desta matéria, que poderá ter custos elevadíssimos. A maior reserva que existe na Terra de hidrogénio encontra-se na água, a qual encontramos nos mares e oceanos, mas a separação da molécula de oxigénio da de hidrogénio, é um processo que continua em fase de estudo na tentativa de reduzir os custos e encontrar um forma de armazenamento fiável. Por exemplo, uma notícia que saiu no “O Primeiro de Janeiro”, enuncia o motor que converte álcool comum (etanol) em hidrogénio:

“A Universidade de Campinas Unicamp ), no Estado de São Paulo, está a desenvolver um novo motor que converte etanol (álcool comum) em hidrogénio. O novo aparelho pode ser utilizado não só em carros mas também como fonte de energia eléctrica. O novo motor é cerca de cinco vezes mais económico do que os actuais motores de combustão e, além disso, tem pouca ou nenhuma emissão de poluentes. A principal inovação do motor, que está a ser desenvolvido por uma equipa do Laboratório de Hidrogénio da Unicamp , é um aparelho reformador (conversor) de etanol que permite a produção de hidrogénio a partir do álcool. Isso torna este motor mais vantajoso do que os utilizados em actuais protótipos de carros a hidrogénio, em que, para o veículo ter uma boa autonomia, é necessária a colocação de vários cilindros de gás.”
        
        É uma ideia bastante interessante, a do aproveitamento do álcool para energia. Outra investigação interessante é a efectuada pelos investigadores da Universidade de Wisconsin-Madison , que estão a tentar obter hidrogénio através das plantas, uma vez que a biomassa possui esse elemento. Pois agora o investimento necessário para o catalisador já cabe no orçamento energético. (fonte: www.sciam.com )
        Outras fontes revelaram que afinal o hidrogénio pode não ser a solução:
“Segundo um estudo recente do Instituto Americano CTI (Instituto Tecnológico da Califórnia), o hidrogénio pode afinal trazer tantos ou mais problemas do que os que enfrentamos com os combustíveis fósseis. A diferença está no facto de nos podermos prevenir e actuar no sentido de evitar o que se passou com os combustíveis fósseis e com outros químicos, que entre outros problemas levaram ao buraco do ozono, ao aquecimento global, ao efeito estufa, às chuvas ácidas e outros fenómenos atmosféricos de carácter destrutivo. O problema está na perda do hidrogénio que os motores dos carros a hidrogénio terão e na consequência a nível atmosférico dessa libertação. Tal como nos carros actuais, existem fugas a nível dos gases que entram na combustão e essa fuga tem sido minimizada nos escapes através de filtros e de reforços a nível dos depósitos, mas nos carros a hidrogénio é apontado um valor na ordem dos 10 a 20% para essas perdas. Esta percentagem poderia originar a libertação de 60 a 120 triliões de gramas de Hidrogénio por ano, se considerarmos um cenário em que o hidrogénio substituiria os combustíveis fósseis por completo.”
 
        Porém, todas as referências aqui citadas são investigações, que podem ou não num futuro próximo tornarem-se realidade. Até lá teremos de nos acomodar com o que possuímos.
        A evolução toma vários rumos. No caso dos transportes, temos a fonte energética já referida, mas podemos também enunciar o comodismo, a aerodinâmica, a facilidade na condução, entre outros. Vamos agora abordar a área que tenta tornar a condução mais cómoda e fácil.
        Os primeiros veículos não estavam dotados de suspensões hidráulicas, sistemas de segurança activa e passiva, programas de estabilidade, enfim... Actualmente, há veículos que reagem à voz do condutor, identificam quantos passageiros se encontram dentro do veículo, adaptam o sistema de ventilação, etc. Vamos falar de alguns projectos recentes que estão a decorrer no mercado automóvel.
        A Daimler-Benz , empresa responsável pela Mercedes-Benz , está a desenvolver um piloto automático que consiga conduzir sozinho em qualquer tipo de condições.
        Trata-se de um total de quase 100 câmaras e sensores que conseguem identificar objectos, temperatura, forma, distância e velocidade. É um projecto ainda deveras verde, mas que irá revolucionar os transportes. Imagine se a carta de condução fosse prescindível. Apenas fosse necessário entrar no veículo indicar o local desejado e ele nos levasse com toda a segurança. Este sistema, segundo a Mercedes, trabalha em sincronização com o GPS (Global Position System ).
        Outros projectos são os da BMW (Bayerische Motoren Werke ), que já englobam no seu jipe X5 um sistema que supervisiona a velocidade com a estrada. Quer isto dizer, se entrar numa curva que não conheça e entre a uma velocidade com a qual será difícil de a fazer com sucesso, o veículo adverte-o e reduz automaticamente a velocidade para que a possa efectuar com sucesso. Outro é o estacionamento automático, que é um sistema composto por sensores laterais, e caso encontre um parque onde o veículo se ajuste, estaciona sozinho. Muito inteligente, visto ser das manobras mais difíceis de se realizar.

 

 

 

 

        Todavia, também há projectos que não encontram apenas benefícios. Por exemplo um estudo efectuado aos ares condicionados dos veículos:
“Instalados em casa, no automóvel ou num local público, esses aparelhos estão sempre a emitir gases com efeito de estufa, segundo um perito da agência francesa para o ambiente e o controlo da energia ADEME ). E isso porque funciona com fluidos produtores de frio à base de hidrofluorocarbonetos HFC ), substâncias com poder de aquecimento 1300 vezes superior ao do gás carbónico CO2 ), o mais conhecido dos gases responsáveis pela mudança do clima. Calcula-se que um automóvel climatizado gaste 25 a 35 por cento mais combustível na cidade e 10 a 20 por cento em estrada.”
                                                   Artigo do jornal “Expresso”
 
        Para controlar algumas das emissões de gases de efeito estufa por parte dos transportes, a União Europeia beneficia os compradores destes no caso da viatura ser mais ecológica. Os automóveis híbridos são um exemplo, visto que o seu motor tem recurso eléctrico, dispensando assim a gasolina durante uma velocidade constante. Outro recurso para reduzir as emissões é o sistema de transportes públicos existentes. Desta forma verificamos que a nossa grande dependência pela mobilidade pode ser mais saudável para o ambiente, caso as descobertas sejam prósperas.  
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Publicado por acienciaeofuturo às 08:54
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A Ciência e o Futuro

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