Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

Construções

     Em conformidade com o cenário actual, também na área da construção se tem verificado uma crescente preocupação com a ecologia. Desta forma, no topo da lista das realidades a ter em conta estão o isolamento, os materiais (de preferência renováveis), tratamento dos resíduos oriundos do uso (p. ex. esgoto), racionalização e eficiência energética e tudo o que esteja reunido no conceito Casa Ecológica. Contudo, sem nuca se desprender da estética, o conforto e a parte económica.
     Neste âmbito, já existem alguns projectos a decorrer que tentar encontrar soluções para satisfazer os parâmetros atrás referidos. Um desses projectos é a “Casa Ecológica” projectada Secretaria de Estado para Assuntos do Meio Ambiente do Estado do Espírito Santo, Brasil, que utiliza o sistema viga-laje em madeira”. Este sistema é a uma conjugação entre a madeira (material renovável) e o aço em que as placas de madeira são agregadas através de filamentos de aço consistentes apertados nas pontas e só o todo se torna eficiente. É caracterizado por ser flexível na arquitectónica, ter estrutura resistente, as peças de madeira serrada não terem encaixes, dispensar vigas e pilares, permitir painéis de maiores dimensões do que o normal, racionalizar a construção de forma a perde o mínimo de materiais, ser de rápida montagem, permitir o desmonte e remonte em outros locais com características análogas, ser de fácil manutenção e permitir a permuta de peças.
     Este projecto pode ser visitado e as experiências que vivemos lá dentro têm como objectivo mostrar às pessoas que se pode conjugar economia com ecologia e consciencializá-las para a importância dessa união.

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     Um outro caso é o Stoneguard C60 ” (nome da casa), projecto realizado pelos os estudantes da Universidade de Nottingham , na Grã-Bretanha, que estão a construir uma casa ecológica feita de aço e isopor . A casa terá vários recursos para economizar água e electricidade, como por exemplo um tanque para armazenar água da chuva, lâmpadas económicas e um sistema para usar energia solar, respectivamente. Esta iniciativa tem como objectivo reduzir a emissão de gases de efeito de estufa em 60%. Os seus moradores serão alunos da universidade e o consumo de energia gasto irá ser monitorizado durante 20 anos, talvez seja tempo de mais, visto que o cenário global piora a passos largos e são necessárias medidas urgentes que sejam solução a longo prazo, mas pensando nas repercussões que podem ter no futuro.
     Tendo em conta os vários estudos já realizados é de esperar que num futuro próximo os tijolos que conhecemos actualmente sejam substituídos por outros mais ecológicos, mais leves e mais isoladores como é o caso do tijolo solo-cimento e o tijolo de papel.
     O tijolo solo-cimento é o resultado da investigação do prof . Francisco Casanova, capaz de diminuir o custo de construção de uma casa em até 50%, utilizando solo, água e um pouco de cimento verde, ou seja, escoria das indústrias de siderúrgica, nas fundações e na confecção de tijolos. A proporção de cimento varia entre 5 e 10%, dependendo da consistência do solo, logo a massa deve ser correctamente colocada em prensas manuais ou hidráulicas e compactada. Após serem retirados da prensa, os tijolos devem permanecer num ambiente húmido, sem vento e sem sol, durante uma semana. As peças são produzidas para serem simplesmente encaixadas uma nas outras, dispensando o uso de argamassa. A montagem das casas feitas com este tipo de tijolo pode-se comparar à montagem de Legos.

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     Este tipo de tijolo, ao contrário do de cerâmica, dispensa o cozimento. Assim, são menos 12 árvores de médio porte ou 170 litros de óleo que deixam de ser queimados a cada milhar de tijolos. As telhas também ecológicas, são produzidas através de fibras vegetais e betume.
     A reutilização de resíduos permite que os amontoados de escória desapareçam em vez de causarem poluição estética e/ou dos solos, por outro lado esta pode ser uma maneira de as empresas obterem mais lucros, rentabilizando o que antes era lixo e tinham quer pagar para se livrar dela.
     Do outro lado do atlântico, em Portugal, desenvolvia-se um projecto semelhante, apoiado também ele em técnicas dos tempos mais antigos. Guy Arnaud da Cunha, estudante de Arquitectura da Universidade Lusíada de Vila Nova de Famalicão criou um projecto de casa ecológica, em betão-leve , feita com tijolos à base de papel e com uma pequena percentagem de cimento.
     No excerto a seguir podemos perceber melhor este projecto:
"Esta tecnologia junta o conhecimento de outras civilizações às novas técnicas de construção conseguindo óptimos desempenhos de isolamento térmico e acústico", afirmou o "inventor" em declarações a agência Lusa. O custo é oito vezes inferior aos materiais convencionais e desempenho tornam-no atractivo. A custo da casa será oito vezes mais reduzido do que se fosse construída com materiais convencionais, refere o estudante, que frequenta o 2.° ano da licenciatura, e apresentou o projecto, intitulado "À porta do caracol", à empresa Edit Value de Braga, que apoia a criação de empresas por alunos de instituições do Ensino Superior.
Guy Arnaud concebeu no projecto uma casa típica do Minho, constituída por três quartos, duas casas de banho, cozinha, sala comum, átrio de entrada e varanda, com uma área total de 208 m2 , pelo preço estimado de 75.000 euros. O betão-leve , segundo Guy da Cunha, tem uma densidade e resistência térmica superiores à do betão, um alto coeficiente de resistência à compressão e boa resistência sísmica.
"O poder de isolamento é quatro vezes superior à lã de rocha, 100 vezes ao tijolo-burro e 300 vezes ao granito", acentua, acrescentando que presenta baixa condutividade e tem grande resistência ao fogo.
"Sem aquecimento e arrefecimento artificial, com este betão, o habitáculo mantém uma humidade constante de 60 por cento, essencial para uma ambiente saudável", garante Arnaud .
Para regular a temperatura, a casa será equipada com um sistema do tipo "poço canadiano", que garante uma temperatura de 19° C no Inverno e 24°C no Verão.
No saneamento e condutas de água, Arnaud desenvolveu um projecto que reaproveita a água das chuvas, utilizando-as no autoclismo e na rega, e optou pela utilização de uma fossa séptica biodigestora para melhoria do saneamento rural e desenvolvimento da agricultura biológica.
Entre outros projectos, Guy da Cunha pretende criar uma empresa de construção deste tipo de habitações.
Fonte: Jornal de Notícias de 22 de Março
 
     Para além das inovações já referidas existem outros pormenores que por vezes ficam esquecidos no momento de idealização e concepção de uma casa, é o caso da adaptação ao clima. A boa localização das janelas pode diminuir necessidades energéticas na medida em que pode aumenta a luminosidade e arejamento.
      Outro ponto a ter em conta é a redução de produtos da combustão dentro da casa, por isso todos os equipamentos que realizam combustão deveriam ter respiradouros para o exterior e monitores de monóxido de carbono deverá existir uma entrada de ar na habitação para compensar o oxigénio que é consumido.
     Também a gestão da água é muito importante, por exemplo, o prolongamento dos telhados reduz as infiltrações de água e consequentemente os problemas de humidade e o crescimento de fungos, que causam alergias. Outro exemplo é o sistema de drenagem, que se for bom e envolver o edifício evita a acumulação de água em seu  redor. No interior também devem existir formas eficientes de libertar a humidade (nos quartos de banho e na cozinha, fundamentalmente), bem como formas de drenar a água em caso de acidente.
     Uma casa não é para sempre, também ela tem a sua durabilidade assim, a construção de uma casa deve ser feita a pensar na sua longevidade, por isso é preferível investir um pouco mais e comprar materiais de qualidade e com garantia alargada, do que materiais económicos que requerem mais manutenção, logo mais gastos. Ao fim de alguns anos, o montante poupado inicialmente pode já ter sido ultrapassado pelo dispêndio em sucessivas reparações.
Actualmente muitos construtores civis já substituíram as tintas de base aquosa tintas à base de solventes que libertam menos compostos orgânicos voláteis;
     Na maioria das vezes as pessoas optam pelo mais barato o que nem sempre é o mais ecológico e a longo prazo o mais económico. Na situação actual, todos nós devemos ter em conta os materiais utilizados na construção nas nossas casas e tentar tirar o maior proveito dos recursos naturais de forma a tornar a nossa casa uma casa mais ecológica, pois não basta só reciclar para tudo melhorar.

 

Sinto-me:
Publicado por acienciaeofuturo às 08:58
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2 comentários:
De Sónia a 1 de Outubro de 2008 às 15:50
Olá!
Adorei este blog. Vejo que estão muito bem infomados em relação a novas tecnologias e energias.
Em janeiro vou começar a construir a minha casa e quero que toda ela seja ecológica.
Será que me podem ajudar? Procuro uma empresa que faça esse tipo de construção e que use os materiais para esse efeito. Quero que a casa seja dotada de energia solar, energia eolica e aprveitamento das águas das chuvas. O terreno tm 900m2.
Se souberem onde posso encontrar esse tipo de serviço, por favor entrem em contacto comigo para este mail: soniamscardoso@gmail.com

Obrigada


De Isolamento Termico a 3 de Março de 2010 às 13:33
Parabéns pelo blog, a informação aqui disponibilizada é muito util para quem quer construir uma casa ecologica! Parabéns pela iniciativa!


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A Ciência e o Futuro

Dados do projecto

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