Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

Vestuário

“A moda é feita para passar de moda.”
                                                Coco Chanel
   A forma como nos vestimos é desencadeada por um padrão que depende da moda e do tempo. A moda não é mais do que uma forma passageira e facilmente mutável de nos comportamos, e sobretudo de nos vestirmos e pentearmos que expressa os valores de uma sociedade. Por exemplo, nos anos 60, época dos hippies, as roupas devido aos estampados floridos e das cores alegres transmitiam paz e amor.
     Na actualidade, tal como acontece desde sempre, os nossos trajes denunciam o estilo de cada pessoa e a realidade politica e social da época, como é o caso dos anos 20 em que os vestidos curtos e com costas e  braços descobertos eram sinal da liberdade desse tempo.
     Na pré-história, a utilização de indumentária tinha como fins providenciar protecção contra factores naturais e melhorar a aparência, porém se nos remetermos para o presente o vestuário passa a ter uma componente de atracção onde a maioria pretende exclusividade, e deixa de ser por necessidade, mas sim por razões culturais e decoração.
     Se pensarmos no que presenciamos nos filmes de ficção científica sobre o futuro, debruçando-nos especificamente no vestuário, podemos constatar que na maioria o conceito de exclusividade não está muito presente e o design das roupas utilizadas é muito semelhante (fato de macaco), todavia, será este o rumo que irá tomar os nossos trajes?
     Relativamente ao design estético não sei o caminho que irá tomar, contudo, no que se refere à tecnologia prevê-se que esta se torne intimamente ligada ao vestuário, concretizando assim as “roupas inteligentes” que tanto se especula e que talvez cheguem até nós mais cedo do que alguma vez imaginamos. Este “vestuário inteligente”, "wearables computers" (computadores vestíveis) vem associado ao conceito de tecnologia pessoal em que o computador estará embutido no tecido que vestimos, nos adereços que usamos, colado à pele ou implantado nalguns dos nossos órgãos sensoriais. Um exemplo da união entre o vestuário e a tecnologia é associação ente a Philips e a Levi’s, as quais estão a preparar o lançamento de uma colecção de Outono que é uma autêntica loucura, pois tornam as nossas vestes objectos úteis, mas que nos deixa cada vez mais ligados às novas tecnologias. A ideia é conjugar todos os objectos electrónicos que utilizamos no quotidiano num só e responder a todas as necessidades e desejos reais do ser humano de informação, comunicação e entretenimento, conjugando-os com conforto e mobilidade. Uma das peças dessa colecção é a “telejaqueta”, uma casaca equipada com telemóvel, um microfone na gola, mp3, selecção das músicas através de reconhecimento de voz e fones de ouvido.
     Os investigadores pretendem ir muito mais longe do que já foi referido até aqui. A meta é conseguir alcançar a essência de cada ser, o que cada um de nós sente psicológica e fisicamente.
     A nível físico, temos os já conhecidos relógios e aparelhos de ginástica que em determinados locais conseguem sentir o coração e medir os batimentos cardíacos. Existem também dentro do mesmo sistema os “ténis Internet-connected shoes” que permite a ligação entre dois atletas via Internet de forma a tomarem conhecimento do ritmo, da direcção e da posição em que se encontram.
     A nível sentimental surgem os “affectives wearables” que reconhecem os estados afectivos como medo, depressão, ansiedade, stress, felicidade ou outros, este tipo de aparelhos pode ser incorporado em qualquer peça de roupa ou acessório. A surpresa inicial deixa-nos fascinados e inconscientes relativamente às consequências desta roupa afectiva a nível ético, porque este vestuário lê e reage aos nossos sentimentos deixando a descoberto o que de mais íntimo há em nós e que maioritariamente não queremos desvendar. Deste modo, como controlamos esta situação e enganamos as roupas?
     No que diz respeito aos materiais utilizados para a confecção, para além dos já utilizados hoje em dia, como o nylon, poliéster e lycra, prevê-se o desenvolvimento de matérias têxteis integrados com nanotecnologia. É o que estão a fazer os pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Tech), da Universidade Rice, da Carbon Nanotechnologies e da Força Aérea dos Estados Unidos. Estudos feitos mostram que compostos reforçados por nanotubos poderão ser a base para uma nova categoria de fibras fortes e leves, com propriedades como condutividade eléctrica e térmica, não disponíveis nas actuais fibras têxteis, contudo, sem alterar o toque e sensação de um têxtil comum. Podemos ter uma camisa na qual fibras condutoras de electricidade permitirão que a função do telemóvel seja inserida nela sem o uso de fiação metálica ou fibras ópticas. Estes novos tecidos que tão a emergir denominam-se “tecidos inteligentes” que podem ser híbridos se têm partes fléxiveis e não tecidos, como vidro, cobre e carbono ou geossintéticos se são feitos de materiais porosos ou flexíveis, usados dentro do solo ou sobre ele. Esta série de tecidos reúne em si várias funções como a “termocromia” (a cor muda consoante a temperatura), sistema antibacteriano (os fios bactericidas permanecem no tecido, independente do tempo de uso), desodorizante e também de protecção aos raios ultravioleta. Esta investigação torna-se bastante importante para as forças militares no âmbito dos uniformes permitindo que estes endureçam quando atingidos por balas, filtrem químicos perigosos, tratem ferimentos ou mesmo se adaptem automaticamente a diferentes condições climáticas.
     Passando à confecção, até a simples recolha de medidas de um cliente pode deixar de ser efectuada tradicional através de fita métrica e lápis, quem sabe se não irá ser substituída por um laser para tirar as medidas, e um computador que desenhará um rascunho da peça pretendida e poderá escolher o tecido, a cor, o formato e ver como ficará na pessoa.
     Em suma, muitos dos objectos já são utilizados actualmente no nosso quotidiano, mas não com estas funções, outros ainda estão em estudo, e outros ainda estão por descobrir pois a tecnologia não pára e talvez daqui a uns tempos já usemos roupas interiores como software e o nosso corpo seja um mundo de bytes, mas isto soa à nossa imaginação a funcionar o que não significa claro que não se concretize, tal como tudo que cada um de nós constrói na nossa imaginação, onde tudo é possível, por isso divirtam-se a imaginar.
Sinto-me:
Publicado por acienciaeofuturo às 09:01
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1 comentário:
De Rakechy a 21 de Maio de 2007 às 07:33
Gostei muito da sua 'síntese'!
Tô fazendo um trabalho a respeito dos 'tecidos inteligentes' e gostaria de saber quais foram as suas fontes.
=)

Cya!


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