Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

Água

"(…) Aqui tens a água, bebe devagar, devagar, saboreia, um copo de água é uma maravilha, não falava para ele, não falava para ninguém, simplesmente comunicava ao mundo a maravilha que é um copo de água. (…) Oh que alegria, (…), vamos todos beber água pura. Agarrou desta vez na candeia e foi à cozinha, voltou com o garrafão, a luz entrava por ele, fazendo cintilar a jóia que tinha dentro. Colocou-o sobre a mesa, foi buscar os copos, os melhores que tinham, de cristal finíssimo, depois, lentamente, como se estivesse a oficiar um rito, encheu-os. No fim, disse, Bebamos. As mãos cegas procuraram e encontraram os copos, levantaram-nos tremendo. Bebamos, repetiu a mulher do médico. No centro da mesa, a candeia era como um sol rodeado de astros brilhantes. Quando os copos foram pousados a rapariga dos óculos escuros e o velho da venda preta estavam a chorar.”

 
José Saramago, in O Ensaio sobre a Cegueira
 
 
 
 
     A água é um bem muitíssimo precioso. Já tão comum se tornou esta ideia que será um modo demasiado banal de começar o texto, porém, parece ser a introdução perfeita, não apenas por sintetizar, de facto, a ideia que pretendemos passar, mas também por tentar recuperar o verdadeiro valor das intenções escondidas atrás de lugares comuns. A maioria das pessoas não se apercebe da superioridade da água perante os demais bens do quotidiano. Assim, é necessário apelar à reflexão para que tomemos medidas antes que o poço seque.
A importância da água prende-se tanto à sua utilidade como, por consequência, ao facto de se dirigir à extinção das suas reservas enquanto água doce e ao fim do seu equilíbrio enquanto água salgada. Os calotes polares estão a derreter, o nível médio das águas do mar está a subir, as reservas de água estão a ficar poluídas, as chuvas estão a acidificar, a água potável está a ser desperdiçada… Que mais precisamos para constatar esta irregularidade prejudicial?
     Temos consciência que precisamos dela para viver, e que sem ela a nossa noção de alimentação, hidratação, higiene e lazer mudaria radicalmente; além de que a nossa dependência do líquido em questão também se dá de modo indirecto, de modo que não nos limitamos a depender da sua ingestão, mas também dos que necessitam da mesma, como as plantas e os demais animais. O homem pode sobreviver sem comer, cerca de 28 dias, mas sem beber só aguenta 4 dias
     Quando olhamos para o nosso quotidiano podemos depreender que a água é essencial não só para a sobrevivência mas também especialmente do abastecimento doméstico que consome cerca de 263 quilómetros cúbicos por ano. Mal acabamos de nós levantar, tomamos banho, lavamos os dentes, fazemos a barba e muitas outras lidas higiénicas, as quais recorrem à água, contudo não ficamos por aqui. O recurso à água é frequente em muitas outras lidas como lavar louça, roupa, carro, limpar o chão e uma panóplia de outras funções (fig. Gastos do quotidiano) só dentro de uma casa que podem gastar uma quantidade de litros incalculável quando manuseadas com descuido, por exemplo, uma família pode poupar, em média, 76 mil litros de água por ano, se fechar bem as torneiras. Os hábitos da actualidade e o desmazelamento por parte das pessoas estão a por em causa a continuidade de existência de água potável, quando na maioria das actividades do quotidiano se pode poupar sem condicionar a realização das tarefas.
     No mundo contemporâneo, as pessoas já não se conseguem imaginar sem a comodidade de abrir uma torneira e brotar de lá água. Ter água canalizada já se tornou algo tão banal que não se questionam como ela chega até elas. Possivelmente o leitor também não sabe, mas nós vamos levá-lo connosco para conhecer a turbulenta viagem da água no mundo das físicas e dos químicos.
     Tudo começa com a captação da água das nascentes dos rios que é depois transportada por adutores (tubos) para as Estações de Tratamento de Água (ETA) onde se inicia um longo e sofisticado processo de tratamento como a grelhagem (filtrar objectos de maiores dimensões ou a filtração), entre outros. De seguida, a água é sujeita a análises que a testam sobre a qualidade desta para consumo e conduzida para a Estação Elevatória e Reservatório. Este último armazena a água e está ligado á rede de distribuição que conduzem a água até ás torneiras (fig. Distribuição) Os tratamentos e a sua intensidade variam com o estado da água aquando da sua entrada na ETA.
     Actualmente, sofre-se um grave problema no que diz respeito à poluição da água que pode ser desencadeado por diversos factores como falta de saneamento básico, lixo, agrotóxicos e  outros  materiais.
     A poluição pode causar graves doenças tanto na fauna como na flora contaminando, por vezes, enormes redes tróficas, gerando uma reacção em cadeia. Algumas doenças tanto directa como indirectamente são: cólera, tifo,   hepatite,   paratifóide, esquistossomose, fluorose, malária, febre-amarela, dengue, tracoma (fig.poluição)
     A velocidade a que as descargas são realizadas é muito superior á capacidade de decomposição e tratamento das estações e por isso alguns cursos nunca conseguem estar limpos.
     A água doce que já era escassa, está a diminuir a largos passos com a ajuda do ser humano o que nos deveria deixar muito preocupados e disponíveis para tentar regredir este cenário escuro.

     Tem-se verificado que os países mais carentes e que dispõem de recursos económicos tendem a tentar procurar novas soluções, por exemplo, no Japão as águas das lavagens são recolhidas em cisternas, tratadas grosseiramente, e reenviadas para os autoclismos. Uma outra ideia é a recolha total da água drenada das habitações para ser totalmente reciclada, com tratamentos intensos, formando assim um ciclo onde não se desperdiça água, em analogia com as naves espaciais.

     Para além da reciclagem de água tem-se tentado encontrar novas formas de obter água potável que sejam rentáveis e de preferência não poluentes, contudo por vezes não é fácil.

     A dessalinização é uma dessas novas apostas, ela consiste na evaporação da água através da acção da radiação solar que atravessa o vidro. No tecto de vidro, o vapor de água condensa e, devido à inclinação do vidro, a água líquida é recolhida nos tanques laterais (fig. Dessalinização). Este processo exige tanques que ocupam grandes superfícies e par além de ser lento está depende das condições ambientais.
     Uma outra técnica em estudo é a retira de gelo das calotes para depois provocar o degelo destes pedaços e armazenar a água. Visto as calotes polares serem a maior reserva de água doce a ideia até era razoável, mas não nos podemos esquecer que a diminuição das calotes pode agravar o efeito de estufa visto o gelo ser um dos maiores reflectores da luz solar que entra na atmosfera.
     De acordo com a situação actual, não é suficiente encontrar novas formas de obter água potável também é necessário que as pessoas conservem a água que já tenham, que não a estraguem e ajudem a torna-la limpa outra vez. Temos de ter cuidado hoje para podermos ter água amanhã. Disputas que já hoje podemos assistir em vários locais como faixa de Gaza entre outros resume á disputa de água em locais onde ela é escassa talvez a água seja o motivo para se despontar uma III Guerra Mundial, pois a água irá tornar-se mais importante do que o petróleo.
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Créditos de imagem: autoria de jtd (http://jtd.deviantart.com)
Publicado por acienciaeofuturo às 09:09
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